Sampa Cultural

Viajar foi umas das coisas que minha família sempre incentivou. Todos os anos, nas férias dos meus pais, íamos conhecer novos lugares, pelo interior do Rio Grande do Sul ou Brasil afora. Mas fui “picada” pelo bichinho da viagem depois de um intercâmbio que fiz na Irlanda, em 2011. De lá para cá, tento viajar ao menos uma vez por ano, na maioria das vezes, sozinha.

Em janeiro deste ano fui a São Paulo pela quarta vez. Em todas elas fiquei hospedada na casa de amigos, em bairros diferentes. O curioso é que em cada viagem conheci uma São Paulo. Na primeira vez fiquei hospedada em Pinheiros, bairro charmoso com muitas opções de bares, restaurantes e lojas. Na segunda me hospedei próximo ao parque Ibirapuera, região com mais trânsito mas com muita área verde. Depois meu endereço foi o Butantã, mais afastado e residencial, mas pertinho da USP, que tive a chance de conhecer. São Paulo é simplesmente demais. Ela mistura sentimentos. Tem muitas opções de lazer, museus, parques, teatros, bares, restaurantes e cafés – um mais lindo que o outro. Falta tempo para conhecer tudo o que a cidade oferece.

Essa minha ida a São Paulo foi inspirada no roteiro São Paulo Cultural da Casamundi Turismo. Fui visitar dois amigos e acabei conhecendo um pouco mais do Centro da cidade. Fiquei hospedada em Campos Elíseos e simplesmente adorei. Já no primeiro dia fiz um tour pela vizinhança e fiquei sabendo que ali foi um dos primeiros – e talvez um dos únicos – bairros residenciais projetados de São Paulo. Ali também fica o galpão da antiga Exposição Clipper, uma grande magazine da cidade na década de 50. Dizem que foram nesses galpões que fabricaram os produtos do primeiro Dia dos Namorados no Brasil, instituído em 1949 pelo publicitário João Dória, que era dono da agência Standart Propaganda.

Esses quatro dias de viagem foram uma imersão cultural. Conheci diversos museus, prédios históricos e presenciei muita arte na rua também, seja nos muros e paredes, como com artistas de rua tocando nas calçadas. Na região da Av. Paulista, conheci o Instituto Moreira Salles (IMS), onde fui a duas exposições: Millôr: obra gráfica, que mapeia os principais temas das produções do artista; e a exposição “A luta Yanomami”, trabalho da fotógrafa e ativista Claudia Andujar, que dedicou a vida a estudar e proteger este povo indígena brasileiro ameaçado de extinção. Essa última me tocou muito, as fotos traziam uma realidade e sensibilidade que jamais imaginei que sentiria ao ver uma foto. O “Acervo em transformação” do MASP é imperdível. A exposição é de longa duração e conta com uma pequena seleção de obras da coleção do museu. Ali vi pinturas de Van Gogh, Cézane, Renoir, Monet, Picasso, e dos brasileiros Portinari, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, José Antônio da Silva e Djanira da Motta Silva. Foi impressionante ver estas obras tão de perto. Pela Avenida Paulista ainda tem a Casa das Rosas, casarão no estilo clássico francês, ideal para uma paradinha para um café, a Japan House, o Itaú Cultural e o Sesc Paulista, inaugurado em 2018 e que conta com diversas atividades culturais e uma vista encantadora da Avenida.

Na região do Centro, a Praça das Artes me chamou a atenção. É um complexo cultural que promove apresentações de dança, teatro e exposições. Parece um oásis no meio ao caos do Centro de São Paulo. Perto dali tem o Theatro Municipal de São Paulo e o Viaduto do Chá, primeiro viaduto da cidade, construído em 1892. No CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) vi a exposição “50 anos de realismo – do fotorrealismo à realidade virtual”. Depois da imersão em obras impressionantes e em tamanho real, seguimos ao Farol Santander, ao ladinho do Mosteiro de São Bento. O Farol conta com diversas exposições, andares temáticos (que tem até pista de skate), café e uma vista extraordinária da capital. Outro lugar bacana de observar São Paulo das alturas é o Edifício Itália, com um café e restaurante que oferece um panorama incrível. Aconselho a ir lá no final de tarde para assistir ao pôr do sol e ainda se encantar com as luzes da cidade à noite. Por ali também vale a pena conhecer a Estação da Luz, a Pinacoteca de São Paulo, o Mercado Municipal e a Sala São Paulo, o lugar que mais me encantou por lá. A Sala oferece concertos gratuitos aos domingos. Ah, e não dá para esquecer do Minhocão, passear por lá é viajar pela arquitetura da cidade, olhando os prédios e a arte que abraça as construções.

Mas São Paulo não é só cultura, também é gastronomia e agito. Opções não faltam, há lugares para todos os estilos e bolsos. Conheci cafés e restaurantes veganos incríveis, com preços acessíveis e muito charmosos. Outro passeio que não pode faltar no meu roteiro são as feirinhas de rua. Adoro o contato com as pessoas e com a comida. Conversei com feirantes, provei frutas, uma lichia deliciosa, e comprei muitos temperinhos.

A noite da cidade também é cheia de atrações, com shows, bares e casas noturnas. Fechei o domingo indo no Sesc em um show do Bixiga 70, banda de jazz e groove instrumental. Foi simplesmente emocionante e envolvente. Me tornei fã da banda depois daquele dia.

Ao mesmo tempo em que a cidade vibra com cultura, ela nos coloca em situações onde a gente só fica lembrando de como a nossa terrinha é boa, como quando fiquei horas trancada no trânsito ou quando não consegui achar um horizonte para observar o pôr do sol. Mesmo assim, São Paulo surpreende a cada rua e parece que algo inusitado irá aparecer em cada esquina. É impressionante a harmonia caótica entre prédios históricos e arranha-céus, o contraste do asfalto com o verde dos parques, pessoas de diferentes estilos convivendo no mesmo espaço.

Foi a primeira vez que andei de metrô em São Paulo e foi uma experiência ótima. Além de ser rápido, é muito fácil para a gente se localizar na cidade. Não tenho muitas vivências com metrô, mas me dei conta que temos que ter cuidado com os horários. Uma cena curiosa foi quando voltei da Av. Paulista e ia até Campos Elíseos. Eram 18h e a menina que me atendeu no balcão turístico me alertou: “vá rápido, senão você vai pegar muito movimento”. Não adiantou. Me vi naquelas cenas que a gente assiste na TV, onde uma multidão de pessoas segue o mesmo caminho, fazendo contorcionismo para entrar no vagão. Só me arrisquei a entrar no terceiro trem que passou.

Eu certamente recomendo este roteiro. O ideal é conversar com um agente de viagens que conheça bem a cidade. No meu caso, foi o Luciano da Casamundi que me deu dicas preciosas de passeios e programas culturais, além de, claro, restaurantes veganos para comer, afinal temos que recarregar as energias. Não precisei me preocupar em pesquisar lugares, ele fez tudo isso por mim, inclusive a logística, o que foi ótimo com a correria do dia a dia e para aproveitar melhor cada minuto.

Ana é relações públicas e vegana. Trabalha como social media na Casamundi Turismo e Cultura. Nas horas vagas toca a Estalo, sua empresa de comidinhas veganas. Para ela, cozinhar é um ato político, possibilitando novas relações com a sociedade e a natureza. Sua próxima viagem será para Bolívia e Chile, quer muito conhecer o Salar de Uyuni.   

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