Blog Casamundi

Viajante Casamundi | Recife e o fervo, Olinda e o frevo

por Olinda Allessandrini

Estive algumas vezes em Recife como turista e fiquei apaixonada pela cidade. Profissionalmente, há mais ou menos 15 anos toquei com a Orquestra Sinfônica, e há cinco anos fiz um recital com música do pampa, na sede do Banco Santander, no centro da cidade.

No início deste ano tive a honra de participar do 26º Janeiro de Grandes Espetáculos, a convite da Unicred Ponto Capital, com o espetáculo Mapa do Brasil, que teve curadoria e produção da Casamundi Cultura.

Fiquei encantada com este festival. A programação é ampla e variada, incluindo teatro, dança, música folclórica, popular, erudita, enfim, um leque de opções em Recife e cidades próximas. Foi minha estreia no Teatro Santa Isabel, lindo, restaurado com muita atenção a cada mínimo detalhe, acústica ótima, um piano excelente e um público amplo, atento, caloroso e significativo. Fui muito bem recebida pela equipe do JGE e também pela direção e funcionários do teatro, interessados e prestativos. O apoio da Casamundi Cultura e o incentivo da Unicred abriram essas portas, em mais uma iniciativa levando música e arte às pessoas.

Em Recife, gosto muito do centro – com seus casarões históricos, das praias lindíssimas, da gastronomia, e, principalmente, do bom humor dos pernambucanos. Eles dão a impressão de levar a vida de modo invejável, reservando espaço para a convivência com os amigos e o lazer.

Desta vez o tempo foi breve, mas consegui dar uma escapada com o Tiago Halewicz, que me acompanhou até Olinda. Foi ótimo. Passamos uma manhã por lá, pois à tarde eu teria ensaio no Teatro de Santa Isabel e à noite o Recital “Mapa do Brasil”. Visitamos a parte alta da cidade, os prédios coloniais, muitos bem restaurados. Além de vistas belíssimas, vimos artesanatos muito caprichados. Descemos e subimos ladeiras! Mas nada para cansar muito, em função do espetáculo que estava por vir.

Antes dessa experiência, há alguns anos estive em Olinda em férias e até dancei a Ciranda, em um dos largos da parte alta da cidade – um momento inesquecível! Também meu concerto com a Orquestra Sinfônica de lá foi no Centro de Convenções da cidade, pois o Teatro de Santa Isabel estava sendo restaurado na ocasião – e ele foi restaurado pela mesma equipe que cuidou com esmero das obras do Theatro São Pedro. O mais engraçado quando toquei por lá é que os jornais publicaram “Olinda toca em Olinda“.

O Brasil é um país gigante e encantador. Acho que o repertório escolhido para Mapa do Brasil abrange grande parte de seu território, cultura e história. Gostaria muito de levá-lo a outras cidades brasileiras, é claro.

Mas voltando à homenagem de hoje, tudo que posso desejar nessa semana especial é que as aniversariantes Recife e Olinda continuem a nos encantar, sempre!

E fica o convite a todos: no dia 26 de março, coincidentemente aniversário de Porto Alegre, eu e o Tiago estaremos no Instituto Ling falando sobre Beethoven, sua juventude, sua surdez e as consequências dela. Vamos abordar sua escrita para piano como testemunha da evolução do classicismo para o romantismo, suas sinfonias, música de câmara, e também sua ópera “Fidélio”, a única que escreveu, e que merece ser mais divulgada.