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[mkdf_section_title title_text_transform=”capitalize” title_text_align=”center” title_size=”medium” title=”Barcelona e Girona” title_color=”#cc007a”][mkdf_section_subtitle text_align=”center” text=”por Fernanda Morassutti”]

Contar o quanto amo viajar é pleonasmo. No meu aniversário, então, nem se fala. Ele coincide com outra data muito importante, que é o meu aniversário de casamento com o Marcelo. Neste período, sempre reservo uns dias para uma pausa. Gosto de escolher destinos onde eu possa ficar por um tempo, relaxando, curtindo, contemplando, namorando e agradecendo.

Neste mês de março, desenhei um roteiro para comemorarmos em Barcelona, cidade que vive no meu coração e imaginário desde a faculdade e onde não canso de estar. Há muito o que fazer por lá. Desta vez ainda demos uma escapada a Girona durante nossa estadia e foi uma combinação fantástica. Ficamos hospedados duas noites em Girona, mantendo nosso hotel em Barcelona. Uma dica ótima para quem não quer desfazer as malas e carregar muita coisa. A ideia era quebrar a viagem, mas retornar e explorar mais ainda Barcelona na volta.

Fomos até Girona de trem, uma viagem de 38 minutos. É um passeio perfeito também para um bate e volta a partir de Barcelona. Dá para ir de manhã e voltar até depois de jantar. Queríamos muito explorar os vilarejos medievais com calma e, aí sim, foi perfeito alugar um carro para conhecer melhor e com mais tempo as cidades próximas.

Em Girona, caminhamos pela muralha e almoçamos aos pés da Basílica Sant Feliu. Conhecemos Besalu, Castellfollit e Monells. Nesta última fomos pela manhã e não havia absolutamente ninguém na rua, parecia um filme, muito romântica, aberta à contemplação. Adoro caminhar pensando em tudo que aquelas ruas já vivenciaram, quanta história já passou por ali. Fomos ainda a Pals que, apesar de ser uma das maiores entre essas cidades, encontramos um único restaurante aberto, onde tomamos um vinho e comemos algo para seguir o passeio. Mas o lugar que mais me encanta de todos esses é Peratallada, por seu passado medieval, que se sente no piso de suas ruas. Fizemos uma combinação ótima que foi também ir a Begur, vilarejo na costa, a 40 km dali. Almoçamos nesta linda praia.

Em Barcelona, o Born é um bairro estratégico para quem gosta de caminhar, como nós. Andávamos em média 12km por dia, explorando tudo. Mas para quem vai pela primeira vez, o ideal é ficar no Eixample, que é mais “aberto”, mais arejado, e onde estão as mais importantes atrações modernistas da cidade. Para quem tem pouco tempo ou não quer caminhar tanto, uma dica boa em Barcelona é andar no ônibus da linha turismo, que percorre tudo, desde bairros mais distantes a regiões litorâneas, Parque Güell, etc. É uma ótima opção para se ter uma visão geral da cidade. Na verdade, ninguém deve se prender em uma única região, mas ter um agente de viagens que conhece seu perfil e seus gostos, é fundamental na hora de escolher onde ficar.

Barcelona é recheada de cafeterias, pâtisseries, bares de tapas, uma delícia. Desta vez acertei em cheio ao escolher o café para irmos no dia do meu aniversário. A Casa Fuster Hotel Café é um prédio modernista que virou um hotel de luxo, mantendo toda a riqueza de sua história. O lugar é encantador e, para completar a magia, há Jazz o dia todo. Tomamos café ouvindo um pianista bárbaro. Como é um bar mais reservado por ser junto ao hotel, ainda sem tanto apelo turístico, é uma dica a ser anotada. Adorei.

Entre todos os passeios que devem ser feitos em Barcelona, como a visita à Sagrada Família, à Casa Battló, Casa Milá, (La Pedrera), Parc de La Ciutadella, museus, galerias e parques, o lugar mais lindo que há por lá, para mim, é o recinto modernista do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau. O prédio foi desenhado pelo arquiteto Lluís Domènech i Montaner e declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1997. Lá ganhei um presente de aniversário inesperado. Minha data coincide com o único dia do ano em que os jardins são abertos. Há músicos por toda a parte e casais do mundo inteiro dançando. Fizemos o mesmo, foi bem especial.

Outro ponto alto da viagem foi irmos ao show Maestros de la guitarra, no Palau de la Música Catalana, onde vivemos uma experiência única. O espetáculo está em cartaz há anos e é imperdível. Os melhores músicos se revezam e também tocam a quatro, e até oito mãos, um repertório tradicional espanhol. Foi uma dica do Tiago Halewicz, que comprou nossos ingressos com bastante antecedência pelo Concierge Casamundi. Ouvir música no Palau é a melhor maneira de conhecer a relevância cultural e experiência artística desse verdadeiro monumento modernista.

Outro programa que tivemos a sorte de fazer, pois tanto eu como o Marcelo, meu marido, gostamos muito de futebol, foi irmos ao Camp Nou, estádio do Barcelona Futebol Clube. Conseguirmos assistir ao grande clássico catalão, Barcelona x Espanyol, com direito a dois gols do Messi.

Mas o que mais me encanta em Barcelona e em toda a região da Catalunha é o valor que o povo dá à sua cultura. O orgulho de ser catalão está presente em tudo e eles sempre foram um povo vanguarda. Foi lá o primeiro lugar da Espanha onde as touradas foram abolidas, por exemplo. Barcelona também é a cidade com um grande número de bares, cafés e restaurantes veganos. Os valores humanitários são muito fortes, eles têm uma visão diferente, sempre abertos a todos os povos. Não são separatistas porque se acham melhores, mas por terem uma identidade e história únicas. Eles falam em espanhol com os turistas, mas nas ruas se ouve basicamente o catalão, que é muito bonito. Nos museus e pontos turísticos sempre o primeiro idioma que descreve o lugar é o catalão, seguido do espanhol, inglês e o francês, muito presente também pela fronteira com a França.

Pelas ruas, a efervescência cultural é evidente em vários exemplos góticos e modernistas, estampados em prédios e monumentos – alguns, de autoria de Picasso, Miró e Gaudí. Boas opções de bares e pubs estão também no Bairro Gótico, nos arredores da Plaça Reial. O bairro por si só é uma atração. São mais de dois mil anos de história nas ruas estreitas e nas construções erguidas antes do século XV. Perto dali, Las Ramblas seguem fervilhando. Restaurantes menos turísticos e acessíveis ficam justamente nos arredores de Las Ramblas e nos bairros Gótico, El Born e Raval. Ah, também não pode faltar um passeio ao tradicional Mercado de La Boqueria, para beliscar algo e comer o melhor jamón do mundo.

Me despeço de Barcelona e Girona já com vontade de voltar.

Imagem de Walkerssk por Pixabay 

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Bacharel em Turismo pela PUCRS e com MBA em Gestão Comercial pela FGV, Fernanda é especialista em turismo de lazer e trabalha na área desde 1996. O que mais gosta de fazer? Viajar, é claro. Conhece quase todo o Brasil, além de vários países das Américas do Sul, Central e Norte, grande parte da Europa, China, Japão, Egito, Israel e Índia. Este ano embarca em mais uma viagem em grupo da Casamundi Cultura com o Tiago Halewicz, rumo ao Irã.