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Casamundi Turismo / Nós e Luxemburgo

Nós e Luxemburgo

por Paulo Kroeff de Souza

Por eu ter sido engenheiro da Varig, minha esposa Susana e eu nos habituamos a viagens frequentes. Fomos estudantes de pós-graduação em Paris, onde também mora, há décadas, uma irmã minha. Minha filha mais velha, Clarice, e família moram em Cardiff, capital do país de Gales. Assim, era natural que tivéssemos interesse em uma nacionalidade europeia. Isso se tornou possível quando o Grão-Ducado de Luxemburgo promulgou uma lei que permitia, entre 2009 e 2018, que descendentes de luxemburgueses recuperassem sua nacionalidade. Fui provavelmente o primeiro brasileiro a realizar essa possibilidade, o que beneficiou também minhas filhas e netas, bem como muitos de meus parentes, descendentes de meu bisavô.

Temos ido a Luxemburgo para vivenciar esse nosso “outro” país e tratar de documentos. Pessoalmente, estive lá por duas vezes em 2011, também em 2016 e 2018. Temos uma relação de participação com o país e com o povo que é muito mais forte do que o simples turismo, pois, de certa forma, lá também estamos “em casa”.

Luxemburgo é um dos menores países do mundo, com aproximadamente 55 km de leste a oeste e 80 km de norte a sul. Lá vivem cerca de 500 mil pessoas, sendo uns 20% portugueses e outros 20% de outras nacionalidades. Faz fronteira a oeste e norte com a Bélgica, a leste com a Alemanha e ao sul com a França. O país é o único grão-ducado do mundo, sendo o chefe de estado Sua Alteza Real, o Grão-Duque Henri. Lá se falam três línguas, o francês, língua do governo e da corte, o alemão e o luxemburguês, que é a língua da identidade nacional. O governo é democrático parlamentarista. A organização do país é muito alemã – simples, eficiente e funcional -, e a comida é muito francesa – variada, saudável e deliciosa. Mas o melhor são os luxemburgueses, que são corteses, cordiais e bem humorados.

O país e sua capital são muito agradáveis e receptivos com os forasteiros, e é muito fácil se comunicar e se deslocar. Quem não fala nenhuma das três línguas oficiais consegue se comunicar em inglês, falado por muitas pessoas: o país desenvolveu forte relação com os Estados Unidos desde a libertação do nazismo.

A capital, a cidade de Luxemburgo, banhada pelo rio Alzette, fica no centro-sul do país e tem uns 150 mil habitantes. Existe desde antes da invasão romana no século III. Tem uma configuração única, com a cidade baixa cercada por rochedos, acima dos quais fica a cidade alta. Escavada nos rochedos, fica a outrora terrível fortaleza, considerada a Gibraltar do Norte, composta pelas casamatas da Pétrusse de 1644 e as casamatas do Bock de 1745. As casamatas podiam abrigar milhares de soldados e dezenas de canhões no seu interior. Serviram de abrigo contra bombardeio durante a II Guerra Mundial, podendo proteger até 35 mil pessoas. No Bock também estão os restos do antigo castelo dos condes de Luxemburgo, cuja construção inicial data do século X.

A cidade possui muitos pontos de interesse, como a Catedral, a Praça das Armas, a Praça (do Grão Duque) Guillaume, que reinava quando meu bisavô emigrou, e a Praça de Clairfontaine, onde há um monumento à Grã-Duquesa Charlotte, que reinou durante a II Guerra. O belíssimo Monumento da Memória, em homenagem aos voluntários das guerras mundiais e da Coreia, e a Praça da Constituição são uma dupla atração, perto da Catedral. Há vários museus, sete dos quais em um raio inferior a 2 km. Entre eles, o Museu da História da Cidade de Luxemburgo é muito interessante e original. Há também o Museu Dräi Eechelen, que fica no Forte Thüngen, e o Museu de Arte Moderna, perto do prédio da Filarmônica, na parte moderna da cidade. Nesta área estão também os prédios dos órgãos de governo da União Europeia.

Aliás, a cidade foi o berço da União Europeia, que começou com a fundação da Comunidade do Carvão e do Aço, por Robert Schuman, luxemburguês. Hoje abriga diversos serviços do Parlamento Europeu, a Corte de Contas Europeia, a Corte de Justiça da União, a sede do Banco Europeu de Investimento e outros serviços. A concentração de órgãos do governo europeu é muito grande para um país tão pequeno. A partir de 2020, com a preocupação ambiental de desestimular o uso de carros, o transporte público será gratuito na cidade e áreas próximas.

Luxemburgo foi um país movido em grande parte pela produção de aço. Na Avenue de la Liberté fica o prédio da Arbed, berço da Arcelor Mittal, a maior aciaria do mundo, que continua sediada em Luxemburgo. Outra grande multinacional com sede por lá é a Amazon, de capital basicamente americano. Hoje, a principal atividade do país provém do sistema financeiro, ele abriga sedes ou sucursais de 205 grandes bancos de todo o mundo. Curiosamente, a floresta das Ardenas, no norte do país, lhe permite ser um grande exportador de madeira. Com essas atividades, Luxemburgo é um país muito rico sendo seu PIB por pessoa o maior da Europa.

Também há um grande número de pequenas cidades e vilas, espalhadas por todo o território, entre as quais Vianden, de 1.300 anos, a 1 km da fronteira com a Alemanha. Vianden é banhada pelo rio Our, afluente do Sûre, que por sua vez é afluente do Mosela. O escritor francês Victor Hugo viveu um tempo lá, em 1871. Também há um castelo onde, numa das salas, há uma árvore genealógica. Nela aparece o Príncipe Maurício de Nassau-Vianden, que não é aquele conhecido dos brasileiros. No Vale do Mosela, mais ao sul, são produzidos os deliciosos vinhos brancos luxemburgueses.

Sempre contamos com o apoio da Casamundi no planejamento de nossas viagens, e esse relacionamento vem de longa data. Especialmente em 2015 e 2016, quando tive problemas de saúde na GrãBretanha. Contar com as orientações cuidadosas da Chay e da Catiane foi fundamental. Além dessas situações mais críticas, sempre viajo com os textos sobre as cidades em que vou passar fornecidos pela agência, e qualidade é muito boa.

Paulo é engenheiro, ex-Varig e professor aposentado do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. Susana é historiadora, também formada em Letras, e professora aposentada da mesma instituição. Eles viajam muito para ver as filhas e também a passeio. Além de convidarem os brasileiros a desbravar Luxemburgo, outros destinos estão em sua lista de desejos.