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Norte da Argentina

Casamundi Turismo / Norte da Argentina

Norte da Argentina

por Bruno Segatto

Costumo viajar sempre nas férias de verão e tenho uma relação especial com a Argentina. Já morei em Santa Fé e em Buenos Aires e agora em dezembro embarquei pela sexta vez para o país vizinho, desta vez rumo ao Norte, na companhia da minha namorada, Barbara Mendes.

Fomos até Buenos Aires, onde passamos dois dias. De lá, seguimos de avião até Salta. Dali em diante viajamos de ônibus. De Salta fomos para Jujuy. De Jujuy para Mendoza e, por fim, de Mendoza para Cordoba, onde encerramos a viagem voltando para Porto Alegre.
Ainda não conhecia o Norte da Argentina. Fiquei bastante impressionado com a história e a natureza daquela região.

Foi emocionante estar em Salta e Jujuy. Estas duas províncias foram palco de batalhas, recrutamentos forçados e movimentos migratórios massivos durante os dez anos de Guerras de Independência. Foram os gauchos do Norte que seguraram os exércitos espanhóis vindos do Alto Peru (atual Bolívia) para que San Martin pudesse cruzar os Andes e libertar o Chile. Além disso, a natureza é exuberante! Salta e Jujuy têm áreas de selva, mas o que mais marca estas províncias é um semiárido repleto de montanhas coloridas e quebradas imensas – quando um rio passa no meio de montanhas e forma um vale.
Neste lugar, história e natureza andam juntas: durante as Guerras de Independência no Norte, o governador Martin Miguel de Guemes desviava o curso dos rios e queimava todos os recursos que os espanhóis podiam encontrar para poder enfraquecê-los em seu passo.

Pelo meu trabalho como pesquisador, em Salta, por exemplo, queria muito conhecer o Museo de Alta Montaña, onde estão guardadas três crianças que foram sacrificadas pelos Incas no topo de um vulcão e que ficaram lá preservadas, dadas as condições locais.
Foi lá também que fizemos um tour guiado para conhecer Cachi e os povoados no caminho. Em um destes povoados havia barraquinhas de artesanato. Perguntei a um dos artesãos o que eles mais vendiam por lá e ele me respondeu, dando risada, que era o muña muña. Indaguei o que era e ele me explicou: uma erva da qual se faz uma bebida de mesmo nome que era usada na época dos Incas como um estimulante sexual. Palavras dele: “Os séculos passam, mas algumas necessidades permanecem.”

Recomendo essa viagem a Salta, Jujuy e Cordoba para quem gosta de conhecer história e paisagens diferentes: montanhas, desertos, desertos de sal, montanhas altiplânicas, vulcões etc. Para mim, Cordoba é o coração da Argentina.

Mendoza é uma cidade planejada nos pés da Cordilheira dos Andes, uma viagem linda para quem aprecia paisagens e vinho, embora em Salta também existam bons vinhedos e um vinho Torrontés, excelente, que só se encontra lá.

Mochileiro e amante da América Latina, Bruno Félix Segatto é docente na Casamundi Cultura. Mestre em História pela UFRGS, professor de História, Filosofia e Sociologia na rede privada de ensino gaúcha, desenvolve pesquisas e possui artigos e capítulos de livros publicados nas áreas de história política e cultural latino-americana. Nas horas vagas atua como fotógrafo amador, viajante, leitor e apreciador de arte e arquitetura.  Além de outras regiões da Argentina, conhece o Uruguai, Paraguai, Chile, Peru e Bolívia. Agora planeja uma viagem para a Itália.