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México com a Casamundi Cultura

por Duse Teitelroit

Fiz minha primeira viagem em grupo, para a China, há alguns anos. Minha escolha essencial sempre foi viajar sozinha, pois prezo muito minha individualidade. Mas os anos passam e alguns destinos merecem companhia, então aprendi a viajar em grupo, de forma positiva. Após algumas experiências, cheguei à fórmula perfeita (para mim, é claro): viajar em grupo, mas em quarto privado. Desta forma, aproveito bem o tempo compartilhado, mas também tenho meu momento sozinha. Assim sou melhor companhia para os outros.

Bom, o México sempre despertou meu interesse, e as atividades com o Tiago Halewicz também. A primeira viagem que fizemos juntos foi para a Polônia, e fez toda a diferença ter ido até lá com ele e com o conhecimento que ele carrega e cada vez constrói mais com essa cultura. Mas voltando ao México, quando saiu a proposta da viagem, o roteiro me interessou e não hesitei em me inscrever. Em fevereiro de 2017, partimos para lá.

Começamos pela Cidade do México, instigante por ter sido construída numa Ilha, uma cidade que vem afundando ao longo do tempo, mas plena de história, arte, cultura e, principalmente, muita gente. O centro do Império Asteca surpreende até hoje. As civilizações pré-colombianas que habitaram o continente americano sempre chamaram minha atenção por poderem ser equiparadas a civilizações como a egípcia, mesmo com os cerca de 5 mil anos de história que as separam. As pirâmides, o conhecimento em ciência, engenharia, matemática e tudo o mais, é muito presente e fora de série. Sempre me pergunto: como esses povos não inventaram a roda?

Quando se escolhe um roteiro em grupo, dificilmente ele vai atender tudo que se almejava sozinho. Mas isso pode ser legal: um roteiro assim desenhado por quem entende e com a dinâmica de todos, leva a uma nova experiência. Desde os detalhes que parecem ser menores, mas tornam a viagem mais prazerosa. Foi uma longa viagem até a Cidade do México e, ao chegarmos ao hotel, uma surpresa: um quarto enorme, com uma cama king size “ao cubo”. Isso não teve preço: era o descanso exato que precisávamos para aproveitar tudo que viria a partir do dia seguinte.

O Museu Nacional de Antropologia é enorme e rico em história dos diferentes povos pré-hispânicos. Só me chamou a atenção não dispor de uma linha do tempo, de um passeio cronológico, que facilita o entendimento e absorção de outras culturas. Senti falta, mesmo com o suficiente tempo que tínhamos. Mas, nos depararmos com a gigante árvore da vida, valeu a visita.

Já no Museu Frida Kahlo, ou a Casa Azul, confesso que o que mais me encantou foram os jardins e tudo que há ao ar livre. É interessante combinar a visita com o Museu de Trótski e ver mais de perto toda a história que conecta essas três personalidades: Frida, Diego Rivera e León Trótski.

Há quem goste, há quem ache desnecessário, mas a visita a Xoximilco é exótica e muito animada. Novamente, como gosto de falar das surpresas de uma viagem em grupo, daquilo que foge ao planejado: uma das nossas companheiras fez aniversário naquele dia e tivemos um parabéns diferente de todos os que já vivi, algo bem inusitado.

Não posso deixar de falar de Teotihuacán e sua Avenida dos Mortos, a falta de vestígio humano e das cerâmicas é misteriosa. A imponência da Pirâmide do Sol faz a gente parar diante dela e contemplá-la. Da mesma forma que a magnitude da Pirâmide da Lua, com seus quatro vértices e quatro esqueletos enterrados em cada canto, nos faz pensar. Eu me animei a subir esta última e foi uma sensação e tanto.

O México é multicultural e nosso roteiro ainda contemplou Cuernavaca, Taxco, Querétaro, San Miguel de Allende e Guanajuato, capital cultural do país, declarada Patrimônio Cultural pela Unesco. A cidade é imersa em lendas e seus famosos túneis não são uma exceção. O Rio Guanajuato costumava correr debaixo da cidade e, com frequência, era a causa das inundações nas ruas. Em meados do século XX, os engenheiros construíram uma represa no topo do vale (Presa de la Olla) para conduzir as águas para as cavernas subterrâneas e assim inibir as inundações. A organização dos túneis parece os sistemas de metrôs das cidades. Várias rotas locais de ônibus públicos correm debaixo da terra, além do trânsito de carros em si. Mas o que me deixou de queixo caído lá foi o Teatro Juárez, palco central do famoso El Cervantino, festival internacional de teatro que lota a cidade uma vez ao ano.

Ficamos hospedados em San Miguel de Allende, cidade colonial que encanta a todos e lembra nossas cidades históricas de Minas Gerais. Há muitos ateliês abertos ao público e lojas de artesanato. Os espelhos de lata também são típicos da cidade. Hoje, ela é bastante habitada por artistas e aposentados americanos que lá foram morar, o que, na minha opinião, não a deixa mais atraente. Ainda abriga antigas Plazas de Touros, arenas de touradas como a ilustrada na animação Festa no Céu. Vale como um registro histórico.

Esse grupo foi muito especial, mas volto a dizer, quem faz a viagem somos nós, principalmente na companhia de outras pessoas. É preciso ter bom humor. Problemas existem, como em toda a viagem e na vida, mas eles se resolvem. O mais gostoso é que um grupo enriquece nossa percepção. Olhares diferentes e complementares sobre o lugar e as situações são fascinantes. Até hoje não chegamos à conclusão sobre o real simbolismo do jaguar, tão ilustrado na cultura e na arte da Mesoamérica, por exemplo. Cada um tem uma teoria e referência bibliográfica, uma mais interessante que a outra, nenhuma definitiva. Mas o meu ponto nisso tudo é que uma viagem em grupo não é clichê, ainda mais quando se tem interesses culturais e curiosidades em comum, com um acompanhamento à altura e que supera as expectativas. No caso da Casamundi Cultura, as atividades preparatórias ajudam também no entrosamento e no respeito às diferenças.

O México é um lugar que deveria ser visitado por todos. Sua história, arte, suas cores, seus aromas, música, mariachis e sua gastronomia, são um espetáculo à parte.

Duse estudou e trabalhou com psicologia e ciências sociais. Nasceu no Rio de Janeiro, mas escolheu Porto Alegre para trabalhar e criar os filhos, estando há 40 anos na capital gaúcha. Adora sua individualidade e curte viajar e ler – participa de um Sarau há anos. Ela fez essa viagem ao México em fevereiro de 2017, e no mesmo mês de 2020 embarca para passar o carnaval no Marrocos com um grupo da Casamundi Cultura, na companhia do Tiago Halewicz novamente.