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Casamundi Turismo / Lyon, uma cidade a ser descoberta

Lyon, uma cidade a ser descoberta

por Renata Fratton

Lyon é a terceira maior cidade da França. Fica praticamente na metade do caminho entre Paris e Marselha e foi fundada há mais de dois mil anos, sob o nome Lugdunum, tornando-se importante para o Império Romano. Apesar da imponência ser um traço marcante, o viajante pode demorar a se sentir arrebatado: Lyon é uma cidade a ser descoberta.

Quem chega de trem à gare da Part-Dieu pode acreditar que se trata de uma metrópole um tanto cinzenta. Para adentrar por suas cores e história é preciso avançar rumo ao coração da cidade e o tramway, bonde moderno, pode ser a melhor opção para atravessar uma das belas pontes do rio Ródano. De lá chega-se à Place Bellecour, sob a vista da Notre-Dame de Fourvière. Ali a cidade começa a revelar seus contornos do século XVII, quando se tornou o centro de produção de seda na França. Lyon vestiu, de maneira literal, o Palácio de Versalhes, palco maior de Louis XIV e seus descendentes. Os tecidos lá produzidos foram utilizados para decorar paredes e móveis, além de casacas e vestidos. O “chiné à la branche”, técnica de tingimento que originava motivos florais um pouco irregulares, caiu no gosto de Maria Antonieta.

Esta atmosfera foi aprendida com os vizinhos italianos e deixou suas marcas na Velha Lyon, a parte antiga da cidade. Suas ruas estreitas e escadarias levam à colina da Croix-Rousse, onde a arquitetura tem cores renascentistas e os prédios, muito altos, foram construídos para abrigar os enormes teares utilizados na tecelagem da seda. Muitos desses edifícios são interligados por corredores, formando um conjunto de passagens secretas, os traboules.

É ainda na parte antiga da cidade que ficam os bouchons, restaurantes que servem a comida caseira que fez da gastronomia seu patrimônio imaterial.  As quennelles, que lembram canelones, e as andouillettes – salsichas recheadas com tripas de porco – são pratos tradicionais, sempre acompanhados de uma taça de Beaujoleais ou Côtes-du-Rhône, os vinhos da região.

Para os amantes da confeitaria, há os coussins de Lyon, pequenos bombons de ganache, envolvidos com pasta de amêndoa tingida de verde. Seu formato lembra uma pequena almofada de seda, como sugere o nome. O doce foi criado pelo chocolatier Voisin em 1960, uma tradição que se reinventa até hoje.

Porém, quando se fala em gastronomia, é impossível não pensar em Paul Bocuse. O mais célebre chef de cuisine da França dá nome ao principal mercado de comida da cidade, o Les Halles de Lyon Paul Bocuse. Há ainda as célebres brasseries Bocuse, uma para cada ponto cardinal, e o restaurante em Collonges-au-Mont-d´Or na região metropolitana de Lyon.

A geografia também é uma atração: Lyon está localizada na confluência entre o rio Ródano (uma via importante desde os tempos greco-romanos, por servir como rota comercial até o mar Mediterrâneo) e o rio Saône, seu principal afluente. É ainda protegida por duas colinas, a Croix-Rousse e a Fourvière, onde fica a basílica de Notre-Dame. No encontro entre os dois rios está o bairro Confluence, que impressiona pelo seu conjunto arquitetônico contemporâneo. É lá que fica o museu Confluences, inaugurado em 2014 e voltado para a história natural. Do lado oposto ao museu, no limite com a comuna de Villeurbanne, está o Parque da Tête d´Or. É o maior parque urbano da França, abriga um zoológico e uma coleção botânica que data de meados do século XIX.

Mesmo com todas as descobertas, o silêncio da cidade chama a atenção. É difícil escutar os ruídos do trânsito. O transporte público de qualidade e o deslocamento do tráfego para a zona industrial de Lyon, que fica em seus arredores, são os fatores principais que geram essa tranquilidade. Há uma piada entre parisienses e lyonnais: dizem que quem vem de Paris costuma chamar o trânsito engarrafado de bouchon. Já quem mora em Lyon pode, simplesmente, entender a expressão como um convite a um bom almoço e uma taça de vinho. Este é o ritmo de Lyon, uma cidade calma e tranquila, mas com uma história e cultura vibrantes.

Este olhar atento de Renata Fratton é influenciado por seus estudos como doutoranda no Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS. Ela também é Mestre em Processos e Manifestações Culturais pela Universidade Feevale e docente da Casamundi Cultura. Renata adora viajar e morou e estudou em Lyon, lugar para onde sempre gosta de voltar.