Japão e Coreia do Sul

 

por Janete Schwartzhaupt

Viajar transporta ao sonho de conhecer outras culturas. O mundo é a história das pessoas, e essas histórias diferentes me encantam. Como o mundo é imenso, há muito por conhecer, portanto o destino é escolhido de acordo com a oportunidade que surge, e para algum lugar que ainda não conheço. Vou contar aqui de uma viagem fantástica ao Japão e Coreia do Sul, em abril de 2017.

A certeza de um roteiro bem elaborado é marca registrada da equipe Casamundi Cultura. O acompanhamento cultural do Tiago Halewicz é a garantia de uma viagem alegre e segura. E ainda importante, retornar trazendo na bagagem novos conhecimentos, amigos, experiências. A preparação para a viagem contempla encontros para o grupo viajante, apresentação do roteiro, sugestões de leitura e informações pertinentes.  Em pensamento já começo a viagem.

Chegamos ao outro lado do mundo, viajamos do ocidente ao oriente. Partimos do Brasil para Seul, via Dubai. Diante de templos, palácios, vilarejos e jardins, passado e presente se cruzam.

Na visita ao Palácio Gyeongbokgung, construído pela dinastia Joseon, em 1395, como em todos os locais ao longo da viagem, é apresentada a cultura da época nas informações descritas por guias locais. Assim também foi no Templo Jogyesa e no bairro Insa-dong, numa das regiões mais tradicionais de Seul, com casas típicas dos vilarejos antigos. No almoço, a curiosidade e o sabor da comida típica.

Passeamos por Cheonggyecheon, o riacho urbanizado e revitalizado que, com a retirada da cobertura de concreto, transformou suas margens num moderno espaço público de recreação. Surpreende pela opção em privilegiar lazer e saúde da população.

Já era final do dia e fomos apreciar a vista da cidade no Monte Namsan, onde está a N Seoul Tower. O olhar paralisa diante das cerejeiras em flor. Era a semana da floração – a Sakura.

Ainda em Seul visitamos o parque onde está o Palácio de Changdeokgung, um conjunto de palácios construídos pela dinastia Choson. Entramos no Museu Nacional da Coreia, com um acervo formado por mais de 190 mil peças, e no Memorial da Guerra da Coreia. Ainda conhecemos o Santuário de Chongmyo, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

Normalmente nas viagens há um tempo livre. Escolho caminhar e observar a vida cotidiana. A sugestão era conhecer a obra da arquiteta iraquiana Zaha Hadid, o DDP – Dongdaemun Design Plaza. A obra interage com o ambiente, abraça e é abraçada pelo espaço onde é construída. Circular dentro e fora dela é uma experiência sensorial.

Com destino ao Japão, deixamos Seul para desembarcarmos em Osaka. Passagem rápida, apenas uma noite, conhecemos o entorno do hotel e partimos para Kyoto.

Kyoto surpreende pela beleza e quantidade de lugares que podem ser admirados. O templo Xintoísta Fushimi Inari Taisha, o deslumbrante túnel de portões Torii. Em seguida, o Santuário Heian e o Templo zen budista Nanzen-ji. Lugares que convidam a sentar e contemplar. Caminhar à noite é agradável e tranquilo, fizemos o percurso até o distrito de Gion, bairro das Gueixas. Jardins, parques floridos ou pequenas florestas sempre presentes na maioria dos lugares. Entre tantas surpresas, observei o cuidado com as árvores quando estão muito velhas.

Na praticidade japonesa, fizemos o trecho Kyoto – Miyajima – Hiroshima – Kyoto, de ônibus, trem, trem de alta velocidade e ferry. Visitamos o Santuário Itsukushima, “onde Deus reside”, na ilha Miyajima, sinalizada por um Torii flutuante. Porém, o momento marcante foi estar diante do Memorial da Paz de Hiroshima, ou cúpula da bomba, num encontro com a história das vítimas. Ali, o “cogumelo nuclear” mostrou a capacidade destrutiva do homem.

Na cidade de Nara, o imenso Buda de Bronze, no Templo Todaiji, demonstra a importância dessa filosofia de vida na cultura japonesa através dos séculos. Em Arashiyama conhecemos uma floresta de bambus. O Templo Budista Rokuon-ji, Castelo de Ouro, impressiona pela beleza e cuidado com o patrimônio cultural e natural.

A caminho de Kanazawa, o Lago Biwa e o Oceano Pacífico nos acompanham. A guia local conta sobre os três sistemas de alfabetização e as mais de 3 mil letras ensinadas. Discorre sobre o xintoísmo, com milhares de divindades e a boa convivência com o budismo. Cita que há um grande número de ateus entre os jovens, principalmente. Chegamos ao Jardim Kenroku-en, visitamos a casa de uma gueixa, seus instrumentos, jardim. Também andamos pelas ruas estreitas no distrito Nagamachi, do período Edo, local de moradia dos samurais. A magia está nos jardins.

Longos túneis nos levam para Takayama. Uma parada no vilarejo Shirakawa-go, cenário das antigas tradições, picos nevados, pagodas e cerejeiras. O hotel oportuniza a experiência de hábitos japoneses. Sapatos na sacola e os tradicionais tamanquinhos no saguão. Para o jantar, a roupa típica disponível no quarto. A sensação era de estar em casa. Passeio pelas ruas, na margem do rio, um café com os amigos viajantes, sentar num jardim e apreciar a exuberância da Sakura, agora no Japão.

Entre montanhas gigantes, seguimos para Hakone. A agitação do grupo é pela proximidade do Monte Fuji. Imponente lá está, e pelo chão um tapete de cerejeiras rastejantes floresce. Jantar típico e saquê, brindamos o dia.

O roteiro sinaliza a ida para Tóquio. Mas, no caminho, um cruzeiro pelo lago Ashi e uma parada em Kamakura, onde está o Buda Amida, estátua de bronze do ano 1252.

Tóquio, primeira impressão. Janela do hotel, eu estava diante do cruzamento mais movimentado do mundo. Era preciso descer, atravessar e admirar a sincronia. Como descrever essa mistura do urbano em potência máxima e a calmaria de um Buda gigantesco num parque? Ou uma floresta silenciosa de bambus, vilarejos de samurais e espigões? Uma metrópole frenética e a calmaria dos templos? Como o Templo Kannon, do ano 645. O Mercado de peixe Tsukiji, símbolo de negócios de volume cuja venda diária é de 2 mil toneladas. Os jardins do Palácio Imperial, castelos e museus. As histórias dos cidadãos. Os vagões só para mulheres. Cerimônia do chá, noivos trajados. A visita ao Museo Edo é um mergulho na vida de um país milenar. Nos bairros Harajuku, Omotesando e Shibuya observa-se o apelo ao consumo e como a sociedade se ajusta a ele.

Tóquio é intensa. O Japão é lindo. A viagem está no final, dia livre e, como de costume, Tiago sugere alguma atividade e nos acompanha. Aderi. Ir de metrô à exposição My Eternal Soul, de Yayoi Kusama. A exposição é simplesmente emocionante. Escolher ir é abraçar a oportunidade, assim como viajar.

Tóquio é intensa. O Japão é lindo. A viagem está no final, dia livre e, como de costume, Tiago sugere alguma atividade e nos acompanha. Aderi. Ir de metrô à exposição My Eternal Soul, de Yayoi Kusama. A exposição é simplesmente emocionante. Escolher ir é abraçar a oportunidade, assim como viajar.