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Casamundi Turismo / Diário de viagem | Peru Casamundi Cultura 2019

Peru | Grupo Casamundi Cultura 2019

por Tiago Halewicz

Antigas civilizações, cidadelas perdidas no tempo, arquitetura colonial de encher os olhos e uma gastronomia inigualável, o Peru é um dos destinos mais encantadores da América do Sul e nos leva a conhecer de forma profunda a história do nosso continente. Em agosto passado conduzi um grupo exclusivo da Casamundi Cultura ao Peru. Foram 8 dias nas terra dos incas em busca das melhores experiências.

Com muito conhecimento na bagagem, adquirido nas atividades preparatórias da Casamundi Cultura, embarcamos rumo a Cusco, ponto inicial da nossa expedição pelo antigo Império Inca e a tradição dos povos quéchuas. Sobre 3339 metros de altitude, o “umbigo do mundo”, como é conhecido pelos povos indígenas, foi refundado por Francisco de Pizarro em 1534 como “Cuzco, ciudad noble y grande”. Ao longo de três séculos, os espanhóis ergueram um vasto conjunto arquitetônico colonial sobre as ruínas da antiga capital inca que nos revelou um amálgama cultural inigualável. Da Plaza de Armas ao templo de Coricancha, tudo em Cusco nos remete a duas eras e, principalmente, à importância da história pré-colombiana. A mediação do nosso guia foi fundamental para aprimorarmos o nosso olhar para uma tradição tão rica.

As alternativas de lugares e passeios são muitas. Desde um simples passeio pelas ruas estreitas da cidade admirando os casarões coloniais e os resquícios pré-hispânicos à visita aos inúmeros museus da cidade – como o MAP, Museu de Arte Pré Colombiana – tudo é uma experiência muito rica. Outro ponto alto da capital inca é a gastronomia andina. A infinidade de produtos locais, como todas as classes de milho e quinoa e carnes exóticas, está presente em todas as mesas, dos restaurantes mais simples aos estabelecimentos comandados por grandes chefs. Tivemos uma experiência espetacular no restaurante Chicha, cujo menu é assinado por Gastón Acurio, o papa da gastronomia peruana.

Já adaptados aos efeitos da altitude, seguimos nossa viagem para o Valle Sagrado, uma região muito fértil que concentrou grande parte das riquezas do império de Pachacútec, como as Salineras de Maras e o centro de experimentos agrícolas de Moray. Diante dos nossos olhos, se materializava o melhor da tecnologia pré-hispânica e o desenvolvimento da sociedade inca. Cumprida essa etapa do roteiro, nos esperava uma hospedagem premium entre as montanhas para uma merecida noite de descanso para encarar Ollantaytambo no dia seguinte.

Ollantaytambo é a única cidade da era inca no Peru ainda habitada. Fundada por Pachacútec como povoado e centro cerimonial, a cidade é um complexo arquitetônico monumental e símbolo do esplendor do império. Durante a conquista espanhola, Ollantaytambo serviu como forte de resistência liderada por Manco Inca Yupanqui. Após uma subida íngreme, chegamos à monumental obra da era incaica, o Templo do Sol. Do alto, uma vista incrível para a cidade andina às margens do Patakancha. Com o desafio superado, embarcamos no trem Voyager para uma viagem de aproximadamente duas horas entre as montanhas para um dos momentos mais esperados do roteiro: chegar em Aguas Calientes e recarregar as baterias para na manhã seguinte subir a Machu Picchu.

Junto ao rio Urubamba, as origens de Aguas Calientes remontam ao ano de 1901, mas passou a se desenvolver após a redescoberta de Machu Picchu, em 1911. Um lugar remoto, sua única fonte econômica é o turismo. Lojinhas, mercados, restaurantes e hotéis de todas as categorias abastecem e acolhem os milhares de turistas que visitam as ruínas todos os anos. Hospedados em um moderno e descolado hotel da rede Inkaterra, desfrutamos da surpreendente hospitalidade peruana e daquele clima de cidade pequena – e também caótica -, cujos visitantes têm todos o mesmo objetivo: realizar o sonho de conhecer uma das mais desejadas paisagens do mundo.

Em Machu Picchu sua magia não se explica, se sente. Principal símbolo do antigo Império dos Quatro Cantos, o lugar foi elevado à categoria de Patrimônio Mundial da UNESCO. Em quéchua, seu nome significa “velha montanha” e é impossível não se sentir pequeno perante tamanha beleza e energia. Todos preparados e revitalizados, tomamos a van que nos levaria às portas do sítio arqueológico. Depois de um percurso sinuoso entre paisagens indescritíveis, chegamos ao momento mais esperado. Mais um pouco de caminhada, umas garrafas d’água para suportar a baixa umidade e o calor – que não era tanto, mas a altitude amplia seus efeitos -, nos deparamos com aquela vista clássica para o centro urbano da cidade perdida aos pés de Huayna Picchu. Muitas fotos, grupo feliz e sonhos realizados. Após a visita de quase três horas mediada por dois guias, seguimos viagem no trem First Class da Inca Rail. Pisco Sour, vinho e um jantar tradicional peruano acompanhou nosso retorno para Cusco, para mais duas noites na cidade.

Próximo destino: Puno, cidade às margens do lago Titicaca. Em uma viagem de aproximadamente 400 km pela Ruta del Sol, as atrações são muitas. A primeira parada foi na Igreja de São Pedro Apóstolo de Andahuaylillas, a Capela Sistina das Américas, exemplo único de barroco colonial. Em seguida, Raqchi, onde está o Templo de Viracocha, estrutura incaica de dimensões monumentais construída no século XV em honra ao deus criador do mundo, segundo a tradição indígena. A viagem segue, nos acompanha a Cordilheira dos Andes, cenários inóspitos e insólitos como La Raya, divisa entre os departamentos de Cusco e Puno, local cuja altitude atinge 4338 m. Os picos nevados tornam a experiência nesse lugar ainda mais especial. Depois de quase 8 horas de estrada, chegamos ao nosso hotel, um alojamento exclusivo à beira do Titicaca.

Despertar cedo é quase regra no Peru. Tudo começa ao nascer do sol para os aimarás, etnia predominante na região. Nossa programação é visitar as ilhas Uros, estruturas flutuantes feitas de totora, planta herbácea aquática comum nas regiões de pântanos da América do Sul. Depois de 40 minutos de viagem sobre o lago, chegamos a uma das ilhas, onde fomos recepcionados por um morador local e sua família. No idioma aimará, com tradução do nosso guia, o jovem morador nos explicou o método de construção das ilhas, suas tarefas cotidianas e sistema hierárquico. Foi uma experiência única e o ponto alto da viagem. Visitar as ilhas Uros e conhecer seus habitantes nos mostra que nosso continente é muito maior e mais diverso do que imaginávamos. Depois de um dia intenso, é hora de voar para Lima para os últimos dias de viagem.

A capital peruana é completamente diferente de tudo que vimos no Peru. A cidade imensa na costa do Pacífico tem quase 9 milhões de habitantes e um trânsito caótico, mas tudo isso se apaga perante sua beleza geográfica e gentileza da população. No caminho do aeroporto ao hotel no bairro de San Isidro tivemos já as primeiras impressões. Edifícios elegantes e avenidas largas que mostravam anúncios do maior evento já recebido na cidade, os Jogos Panamericanos e Parapanamericanos 2019.

Desde a Plaza de Armas descobrimos a capital do Peru. Edifícios coloniais, ruas lotadas, igrejas repletas de fiéis. A colonização espanhola tornou o Peru uma nação muito católica, mas que não deixa de lado as crenças indígenas, o que estabelece um sincretismo muito particular. Depois de ouvirmos sobre a fundação da cidade, fomos ao Museu do Larco, sem dúvida o mais prestigiado do país. A coleção ímpar capitaneada pelo colecionador Rafael Larco Herrera está disponível para visitação desde 1926. A sede do museu é uma atração à parte. A bela “casa hacienda” do período do Vice-Reino guarda uma coleção de arte pré-colombiana desde as civilizações anteriores aos incas em um projeto curatorial extremamente elegante. Após a visita guiada, nada melhor do que almoçar em seu restaurante, instalado nos jardins.

O céu de Lima é sempre cinza, mas nunca chove (ou raramente chove). O sol e a luz, que todos os viajantes sempre desejam, aqui não importam. A luz de Lima vem da beleza de Miraflores, da boemia animada de Barranco, do Parque do Amor, do Larcomar (um centro comercial incrível à beira do Pacífico), das ruínas de Huaca Pucllana, da gentileza das pessoas, da gastronomia rica e apurada e daquela atmosfera vibrante de uma grande cidade, capital de um país surpreendente, acima de todas as nossas expectativas, quase mágico.

Álbum de fotos

Tiago Halewicz é o diretor cultural da Casamundi Cultura. Com o olhar atento ao que acontece no mundo, é ele quem define as atividades inseridas na programação. Pianista, graduado em Música pelo Instituto de Artes da UFRGS, atua como músico e pesquisador na área da cultura. Viajante experiente, conduz grupos por todos os continentes, compartilhando o seu conhecimento multidisciplinar.